Vale recebe formação de grupos reflexivos de homens autores de violência contra a mulher
O aumento dos casos de violência contra a mulher se tornou um desafio para sociedade. Para combater esse tipo de crime, prevenção e conscientização têm se tornado cada vez mais importantes. Em Blumenau, um curso de formação de facilitadores de grupos reflexivos para homens autores de violência contra a mulher reuniu profissionais engajados em aprofundar seus conhecimentos sobre o tema.
Promovida pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), em parceria com a Academia Judicial, a formação aconteceu nesta semana, durantes os dias 21 e 23 de setembro e contou com 40 pessoas, entre assistentes sociais, psicólogos, profissionais da educação, advogados, integrantes da Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (SEJURI) e profissionais indicados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Além de participantes de Blumenau, profissionais de Itajaí, Penha, Indaial, Barra Velha, Joinville, Porto Belo, Pomerode e Balneário Camboriú também fizeram parte da ação que reforça o compromisso institucional do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) com a prevenção e o enfrentamento da violência. O evento contou com o importante apoio e incentivo do magistrado da comarca de Blumenau, juiz Rubens Ribeiro da Silva Neto, diretor do Foro Universitário.
A capacitação foi ministrada pelos especialistas Cleide Gessele e Ricardo Bortoli, que coordenam a Interação Desenvolvimento Profissional Ltda e têm realizado capacitações em diversos tribunais de justiça de estados brasileiros. De acordo com eles, a facilitação de grupos reflexivos se sustenta em uma metodologia que alia teoria e prática, ao abordar a triagem, o acolhimento, a facilitação e o manejo de resistências de forma consistente e qualificada.
Ainda segundo os formadores, a experiência acumulada ao longo dos anos evidencia resultados concretos, como o baixo índice de reincidência entre os homens que participam, fruto de práticas que promovem reflexão coletiva, responsabilização individual e transformação efetiva das atitudes. Além disso, uma questão fundamental é promover o entendimento que o grupo reflexivo precisa ser uma política pública sólida e efetiva em todos os municípios brasileiros para de fato compor a rede de enfrentamento às violências contra as mulheres.
Para o psicólogo João Batista Rios Machado, lotado na Cevid em Blumenau, a efetivação dos grupos reflexivos passa necessariamente pela construção de uma comunicação que sensibilize e dê sentido à participação dos homens. “Mais do que transmitir informações, trata-se de criar diálogos capazes de despertar consciência sobre a importância desses espaços, mostrando que não são apenas medidas a serem cumpridas, mas oportunidades reais de transformação”.
A desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, coordenadora da Cevid, reforça: “Com essa formação, o TJSC dá mais um passo no aperfeiçoamento das políticas públicas.” A ação está alinhada ao indicador de capacitação de servidores do macrodesafio de aperfeiçoamento da gestão de pessoas previsto no monitoramento da Estratégia Nacional do Poder Judiciário 2021-2026, que valoriza a capacitação como instrumento de transformação institucional e social.
Imagem: TJSC
